- Júlio César -
RM.
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"O assassinato de Pompeu Magno foi mais do que a morte de um general derrotado — foi o fim simbólico de uma era da República Romana. Depois de décadas de glória, conquistas no Oriente, triunfos celebrados em Roma e o título de “Magnus”, o Grande, ele terminou seus dias como um fugitivo.
Em 48 a.C., após ser esmagado por Júlio César na Batalha de Farsalos, na Grécia, Pompeu viu seu exército se desfazer. Aqueles que outrora o chamavam de salvador da República agora fugiam, rendiam-se ou buscavam salvar a própria pele. Restou-lhe o mar. E com ele, a esperança de refazer suas forças no Oriente, onde ainda tinha prestígio e antigos aliados.
O Egito parecia um refúgio lógico. Anos antes, Pompeu ajudara o pai do jovem faraó a recuperar o trono. Esperava, portanto, gratidão e apoio. Mas o Egito que ele encontrou estava mergulhado em sua própria crise: o jovem rei Ptolemeu XIII disputava o poder com sua irmã, Cleópatra VII, e era controlado por conselheiros ambiciosos e temerosos do avanço romano.
Para esses homens — especialmente o regente Potino, o general Áquila e o retórico Teódoto de Quios — a situação parecia clara: César era o vencedor. Ajudar Pompeu seria comprar a inimizade do homem que em breve dominaria Roma. Matar Pompeu, ao contrário, poderia render favores. Teódoto teria resumido o cálculo frio com uma frase cruel: “Um homem morto não morde.”
Quando o navio de Pompeu ancorou próximo a Pelúsio, na costa egípcia, enviaram-lhe um pequeno barco como sinal de acolhida. Era um gesto aparentemente respeitoso. No entanto, naquele barco estavam seus executores. Entre eles, Lúcio Septímio, um romano que já servira sob seu comando — uma traição que tornaria o momento ainda mais sombrio.
Pompeu desceu ao pequeno bote enquanto sua esposa, Cornélia, observava do navio maior. O mar estava calmo. A praia se aproximava lentamente. Talvez ele ainda acreditasse que poderia reconstruir seu destino. Talvez já pressentisse o abandono dos deuses.
Sem aviso solene, sem julgamento, sem honra, foi apunhalado pelas costas. Septímio foi o primeiro a golpeá-lo; outros seguiram. O grande general, que comandara legiões e decidira o destino de reinos, morreu quase sem resistência, dentro de um barco apertado, longe de Roma. Tinha cinquenta e oito anos.
Seu corpo foi lançado na areia. Sua cabeça foi cortada para ser oferecida como presente a César. A imagem é brutal: o homem que celebrara triunfos, agora reduzido a um troféu ensanguentado.
Quando Júlio César chegou ao Egito e recebeu a cabeça de seu antigo aliado e depois rival, não comemorou. Segundo os relatos antigos, chorou. Ordenou que o corpo fosse recolhido e cremado com dignidade. A morte de Pompeu não lhe trouxe alegria; trouxe o peso de uma guerra civil que devorava seus próprios filhos.
Assim terminou Pompeu Magno — não em campo de batalha, espada na mão, mas traído por aqueles de quem esperava abrigo. Sua morte não foi apenas o fim de um homem, mas o anúncio sombrio de que a República Romana estava morrendo com ele, substituída por um mundo onde a política se resolvia com punhais escondidos e cabeças oferecidas como presentes."
Fonte: Zona de Guerra (Facebook)
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