quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Batman O Cavaleiro das Trevas - 40 Anos: 1986-2026




























Batman The Dark Knight Returns 40th


Batman O Cavaleiro das Trevas - 40 Anos: 1986-2026


Frank Miller, Klaus Janson, Lynn Varlley


DC Comics


1986


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Batman TDK está fazendo essa semana 40 anos! 

A História em Quadrinhos do personagem que mudou paradigmas; revolucionou, refletiu, escandalizou, irritou e divertiu pessoas ao redor do mundo! 

Batman e os heróis US e as HQs/Comics ocidentais eram vistas de uma forma e se tornaram outra depois, com reflexos dessa influência até hoje na indústria.

Amado ou odiado, dono de uma vasta classe de fãs mundo afora (Também detratores!), já 'Clássico Pós-Moderno' de leitura obrigatória, sua importância e de seu autor, é sentida mesmo quarenta anos depois!

Parabéns Frank Miller Batman The Dark Knight !

RM.


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"Quadrinhos:

O Cavaleiro das Trevas, quatro décadas depois

25 de fevereiro de 2026

Clássico é sempre clássico. Mas isso não significa que ele não possa ser criticado. E tampouco que tenha, de alguma forma, envelhecido mal. Este aqui é um exemplo ideal.

Por THIAGO CARDIM

Não importa se estamos falando de filmes, livros, séries, discos ou quadrinhos. Quando temos um exemplar que, por alguma razão, passou a ser chamado de clássico, inevitavelmente uma vultosa parcela de seus devotados fãs o torna à prova de balas. Um clássico é algo que mudou a história de sua mídia e, portanto, não pode ser questionado. É apenas e tão somente um produto de seu tempo e…

Ôpa, peralá, não e não. Sei lá se é assim na casa de vocês, mas AQUI, no QG do Gibizilla, isso simplesmente não existe. Um clássico pode continuar sendo um clássico, importantíssimo, fundamental, influente e responsável por uma dezena de outras obras que o seguiram. Mas isso nem de longe impede que ele seja analisado, questionado, criticado. Porque, pra gente (e espero que pra uma porraa de outras gentes), nenhum clássico é sagrado. Quer seja ele uma obra de Stanley Kubrick, James Joyce, Ryan Murphy, Michael Jackson ou… Frank Miller.

Esta semana, o clássico absoluto O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight Returns) completou 40 anos desde sua publicação original. Quatro décadas, pensa só. E sim, é óbvio que este é um clássico – uma obra que lançou novamente as sombras sobre o Homem-Morcego depois de anos sendo entendido apenas como aquela figura alegre e galhofeira da série de TV dos anos 1960. Um quadrinho que se tornou uma espécie de arquétipo obrigatório para a maior parte dos retratos feitos do Batman nas décadas que se seguiram. Uma HQ que, lado a lado com o Watchmen de Alan Moore, levou o mito dos super-heróis a sério e, mais do que isso, o dissecou de maneira tão influente e ainda bastante relevante.

E um gibi, vamos lá, REPLETO de problemas. ¯\_(ツ)_/¯

É, gente, então, vamos falar do Batman FASCISTA

Ó, antes de mais nada, simbora tirar o bat-elefante do meio da sala: não, não estamos falando aqui que o Morcegão, enquanto personagem, seja essencialmente um fascistóide (apesar daquela piada no filme do Besouro Azul ser realmente divertida, rs). Claro que a gente adora sacanear a origem burguesa de Bruce Wayne e dizer que este bilionário poderia ajudar Gotham City muito mais com os seus bolsos do que com os seus punhos que vivem socando pobres. Mas a gente também sabe que, não, o personagem não é só isso e, honestamente, é BEM mais do que isso. Mas estamos aqui falando ESPECIFICAMENTE do Batman de Frank Miller em O Cavaleiro das Trevas.

Um Batman de 55 anos em um futuro distópico e que, depois de uma década, sem vestir o traje de vigilante, retorna às ruas de uma Gotham City tomada pela violência. E um Batman que, insatisfeito com o governo, toma a justiça nas mãos e monta seu próprio exército para varrer os anarquistas baderneiros das ruas.

Em vez de se basear em uma zona cinzenta moral, a visão de Miller sobre o Batman extrapola algumas das tendências do Cavaleiro das Trevas para mostrar como a cruzada do vigilante contra o crime poderia transformá-lo em um fascista completo. E transforma. Todos na cidade são culpados, e Bruce Wayne é o único homem digno de julgá-los, aplicando a punição violenta que julgar adequada. No fim, ele se torna uma espécie de messias moderno, alguém que é enxergado como um mito que volta da morte e cria seu próprio culto de seguidores.

Não te faz lembrar algo…?

Sim, sim, o Superman d’O Cavaleiro das Trevas é inquestionavelmente um fascista, um arrombado atuando para defender o governo de Ronald Reagan, assumindo o papel de míssil nuclear travestido das cores da bandeira dos EUA. Mas o Batman aqui, seu principal antagonista, está longe de ser alguém defensável. Não existe aqui uma crítica. Existe este Batman escrotíssimo sendo alçado e tratado como um herói acima do bem e do mal o tempo todo. Ponto.

Com o tempo, ele radicaliza e militariza um grupo de jovens desfavorecidos e pobres, oriundos de gangues, que, sem qualquer razão política ou moral identificável, começam a segui-lo. Aparentemente, existe uma necessidade emocional de seguir alguém mais forte do que eles próprios e o Batman alimenta essa dependência em um esforço para criar uma força militar. É uma extrapolação do que ele já fazia com os seus Robins, né? Hahahahahahaha. Mas ele não cria um grupo para combater o poder estabelecido. E sim uma milícia que age como júri, juiz e executor. É aí que reside o problema.

Os amigos do Quadrinheiros também fazem uma ótima análise sobre este viés, dizendo que Miller é hábil ao alternar entre os atos do Batman e a posição da imprensa (naquela excelente narrativa gráfica envolvendo as telas de TV entre os quadrinhos).

“Ele [Miller] a mostra [a imprensa] sempre adulterando e deturpando os fatos que vemos, há sempre um contraste entre a realidade que ele nos faz presenciar e a interpretação equivocada da mídia e é por isso que as ações do Batman são sempre justificadas de alguma forma. A mídia declara que Batman é um fascista, um doente e um criminoso. Ficamos ao lado do vigilante e, desse modo, legitima-se esse mesmo comportamento que é, de fato, fascista, doente e criminoso no pior sentido da máxima dos fins que justificam os meios”.

Mas não é?

“Qualquer um que pense que Batman era fascista deveria estudar sua política. O Cavaleiro das Trevas, se é alguma coisa, seria um libertário. Os fascistas dizem às pessoas como viver. Batman apenas diz aos criminosos para pararem”, defende o próprio Frank Miller, numa rara entrevista ao Hollywood Reporter. Já o seu “algoz” usual, o também quadrinista Alan Moore, defende pro The Telegraph um olhar diferente. “[Ele tem] uma visão bastante subfascista, mesmo desde os tempos de O Cavaleiro das Trevas. É a ideia de um homem, talvez a cavalo, que possa resolver essa bagunça – isso lembra um pouco demais O Nascimento de uma Nação”. Sim, sim, Moore está claramente criando uma conexão entre a cena da HQ de Miller com um dos “clássicos” da cinematografia nazista.

Isso apaga o aspecto de “clássico” d’O Cavaleiro das Trevas? Não, em nada.

Mas não nos impede de apontar o dedo e entender onde está o equívoco. Ou talvez “os equívocos”, no plural.

Feliz 40 anos, Cavaleiro das Trevas – seja você fascistinha ou não. 😉"

Fonte: Gibizilla 

https://www.gibizilla.com.br/2026/02/batman-cavaleirodastrevas-40anos/

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