quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Aborto Elétrico

















Aborto Elétrico

Onde começou a lenda do Punk Rock BR em Brasília...

Dalí nasceria a posterior Legião Urbana de Renato Russo e o resto é História!

A música brasileira não seria mais a mesma depois disso.

Esse ano e mês faz 30 anos de sua morte.

RM.


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"O Aborto Elétrico foi uma das bandas mais importantes e seminais do punk rock brasileiro. Ativo em Brasília entre 1978 e 1982, o grupo ficou eternizado por ser a semente que deu origem a dois gigantes do rock nacional: a Legião Urbana e o Capital Inicial. Tudo começou no segundo semestre de 1978. Fê Lemos (baterista), com apenas 16 anos, havia acabado de voltar de uma temporada na Inglaterra com os pais. Ele trouxe na bagagem discos, roupas e a efervescência do punk rock que dominava Londres. Nessa mesma época, Renato Russo conheceu André Pretorius, um jovem sul-africano radicado em Brasília que andava pelas ruas vestido de punk. Da amizade desse trio nasceu a banda: Renato Russo assumiu o baixo e os vocais, enquanto André Pretorius ficou com a guitarra e Fê Lemos comandava a bateria. O nome "Aborto Elétrico" foi uma ideia de Pretorius, após o trio descartar outras opções curiosas como "Tijolo Elétrico" e "Abacaxi Elétrico". A primeira composição da banda veio logo no início: uma faixa em inglês chamada "I Want to be a Junkie", escrita por Renato Russo. Os primeiros ensaios aconteciam na Colina, um conjunto de blocos residenciais da Universidade de Brasília (UnB), onde moravam professores e funcionários. Aquele local virou o ponto de encontro de jovens que compartilhavam discos importados, livros e ideias. Esse grupo de amigos ficou conhecido como a Turma da Colina. Dali saíram não apenas os integrantes do Aborto Elétrico, mas também os futuros membros da Plebe Rude e dos Paralamas do Sucesso. Embora tenham começado a ensaiar em 1978/1979, o Aborto Elétrico só subiu ao palco pela primeira vez no dia 11 de janeiro de 1980. O show de estreia aconteceu no bar Só Cana, localizado no Centro Comercial Gilberto Salomão, um famoso reduto da juventude brasiliense no Lago Sul. O repertório inicial tinha apenas 5 músicas. Como o público (formado basicamente por amigos da "tchurma") gostou e pediu bis, a banda teve que repetir as mesmas músicas para estender o show. A apresentação foi tão enérgica que André Pretorius quebrou a palheta no meio da apresentação e continuou tocando com os dedos sangrando. Com a saída de Pretorius para prestar serviço militar na África do Sul, Renato Russo assumiu a guitarra e Flávio Lemos (irmão de Fê Lemos) entrou como baixista. Posteriormente, Ico Ouro-Preto (irmão de Dinho Ouro Preto) também colaborou na guitarra. Para manter a banda ativa, Renato Russo tomou uma decisão ousada: Renato Russo deixou o baixo e assumiu a guitarra e os vocais. Como ele mesmo declarou mais tarde, passar para a guitarra o ajudou a usar mais as suas próprias letras, já que antes ele tinha vergonha de cantar. Essa nova formação coincidiu com o crescimento do Aborto no circuito alternativo de Brasília. Eles passaram a ensaiar frequentemente no mesmo espaço que a banda Metralha (que depois viraria a Plebe Rude). Como o equipamento de som era escasso na época, as duas bandas juntavam seus amplificadores para conseguir tocar. A partir daí, o Aborto Elétrico começou a fazer shows em escolas, festas de aniversário e pequenos festivais na capital federal, arrastando um público cada vez maior. Foi justamente nessa "segunda encarnação" da banda, entre 1980 e 1981, que Renato Russo escreveu a maior parte do repertório clássico que conhecemos hoje. Músicas de forte teor político e social começaram a ser testadas nos palcos brasilienses, tais como: "Que País É Este?", "Geração Coca-Cola" e "Veraneio Vascaína". Mas, para o fim da banda, Ico Ouro-Preto (irmão de Dinho Ouro Preto) entrou como guitarrista para que Renato pudesse se concentrar apenas em cantar. No entanto, o clima interno começou a se deteriorar rapidamente. O crescimento da banda trouxe à tona fortes divergências criativas e de personalidade entre Renato Russo e Fê Lemos. O estopim aconteceu em um ensaio de março de 1982, quando Renato apresentou a música "Química". Fê Lemos criticou duramente a canção, chamando-a de "simplória". Irritado com a crítica, Renato saiu da banda, decretando o fim definitivo do Aborto Elétrico. Com o fim do Aborto Elétrico, o repertório de composições criadas naquele período — a maioria escrita por Renato Russo — acabou sendo dividido: Renato Russo formou a Legião Urbana, levando consigo hinos como "Que País É Este?", "Geração Coca-Cola" e "Conexão Amazônica". Os irmãos Fê e Flávio Lemos uniram-se a Dinho Ouro Preto e fundaram o Capital Inicial, herdando sucessos marcantes como "Fátima", "Veraneio Vascaína" e "Música Urbana". Oficialmente, o Aborto Elétrico nunca gravou um disco de estúdio enquanto esteve na ativa (1978–1982). Eles eram uma banda puramente underground e de circuito de shows. No entanto, existem registros históricos e um resgate muito importante que manteve essa obra viva: existem gravações piratas (bootlegs) de shows da banda feitos na época com gravadores caseiros amadores. O registro mais famoso de áudio é de um show ao vivo na Funarte em 1981, que circula na internet e em feiras de vinil/CDs independentes. A qualidade do áudio é bem precária e crua, mas tem um valor histórico imenso. Como o repertório original da banda nunca tinha sido registrado em um álbum profissional por completo, o Capital Inicial decidiu tirar esse projeto do papel. Em 2005, eles lançaram o álbum e DVD de estúdio MTV Especial: Aborto Elétrico. O projeto resgatou a sonoridade punk crua da época e reuniu 18 músicas compostas no período do Aborto. As pérolas que ficaram com a Legião Urbana: "Que País É Este?", "Química" e "Geração Coca-Cola". Os clássicos que já eram do Capital Inicial: "Fátima" e "Veraneio Vascaína", além de 9 músicas totalmente inéditas que nunca tinham sido gravadas oficialmente em estúdio antes (como "Helicópteros no Céu", "Submissa" e "Love Song One")."

Fonte: 97 Rock Radio (Facebook)

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