segunda-feira, 20 de abril de 2009

"Nós e a Arte"

“... A arte tem assim uma função que poderíamos chamar de conhecimento, de ‘aprendizagem’. Seu domínio é o do não-racional, do indizível, da sensibilidade: domínio sem fronteiras nítidas, muito diferente do mundo da ciência, da lógica, da teoria. Domínio fecundo, pois nosso contacto com a arte nos transforma. Porque o objeto artístico traz em si, habilmente organizados, os meios de despertar em nós, em nossas emoções e razão, reações culturalmente ricas, que aguçam os instrumentos dos quais nos servimos para apreender o mundo que nos rodeia...”

Trecho retirado do texto: "Nós e a Arte" do autor: Jorge Colí

Minha análise e comentários:

O trecho do texto "Nós e a Arte" do autor Jorge Colí em destaque, nos diz respeito sobre os domínios da Arte e seus campos de atuação. O autor coloca, separando nitidamente na sua afirmação, a importância da Arte dentro de uma espécie de esfera de atuação e faz uma defesa em relação a ela mesma com o complexo significado da aprendizagem. Defende seu ponto de vista, apontando quais são as características inerentes da arte que a faz diferente e mesmo assim, importante perante outros campos do saber presentes na educação.
Percebemos suas colocações quando ele nos diz sobre o "domínio do não-racional", "da sensibilidade", "sem fronteiras nítidas" em relação ao método científico, lógico, teórico, para onde toda hipótese possa se tornar uma verdade absoluta, inquestionável, universal, devendo ser primeiramente confirmada com provas e sólidos argumentos.
Este "Mundo da Arte" ao qual todos nós adoramos, porém com receio, acontece a meu ver, exatamente devido às características levantadas por ele. Significa dizer em certa medida que se trata de um paradoxo. Paradoxo, pois esse mundo sem fronteiras nítidas em uma primeira impressão estética nos causa fascínio, mas uma vez perdidos dentro dele e percebendo sua infinitude de possibilidades, o quão somos pequenos perante ele e suas cores, formas, luz, traço, espaço, mancha, conceitos e etc., passamos a sentir então, emoções de medo e fragilidade diante dessa imensidão. Como se fossemos uma gota perante o oceano ou o universo perante o homem. Assim, somos impelidos por um estranho desejo que o filósofo Kant definiu em conceito de sublime, ao tentar desvendá-lo sentindo prazer nesse medo na vã tentativa de dominá-lo! Algo como o amor, estar apaixonado, amando o que se conhece e também nesse caso, o que se desconhece! Nesse momento percebemos que estamos sendo guiados por algo maior, mais complexo e mesmo perigoso, pois não se conhece o destino final dessa jornada que ainda assim, seguimos até o fim.
É justamente nesse caminho de autoconhecimento como humanos, nossa imensa imaginação e poder de criação, que nos afasta a cada dia mais de nosso ambiente ancestral de natureza selvagem e sem razão para o conhecimento cultural e racional que o autor chama de "instrumentos dos quais nos servimos para aprender o mundo que nos rodeia". Isto significa, dessa capacidade que somente a humanidade possui de fazer Arte, de criar mundos, criar objetos, dominar a natureza hostil a nossa volta e controlá-la ao nosso bel-prazer dando-nos a impressão ou a construção da idéia de que não pertencemos a ela, que somos seres superiores, a parte. Um terrível engano que cabe ao universo das artes plásticas ao mesmo tempo ser a notícia realista desse jornal em uma manchete, como também ser a válvula de escape dessa sociedade humana e suas razões. Característica fundamental que somente a arte tem de se fazer imortal perante os homens, ou melhor dizendo; enquanto houver humanidade. Desta importante área de conhecimento, surgem outras e a necessidade de expressão humana não morre nunca! Já nascemos nos expressando, desde as primeiras moléculas de oxigênio que penetrados em nossos pulmões causa o choro da criança ao nascer e etc...
Por isso, a educação de base, o processo de aprendizagem e do conhecimento através do mundo artístico em toda sua plenitude seria quase como dizer que além de fundamental, é natural, inerente ao crescimento espiritual e racional do ser humano.
Concordo com o autor e seu ponto de vista, afirmando eu também ser sujeito participante desse processo, talvez apenas com uma pequena diferenciação: Ao amar tanto esse "mundo sem fronteiras" e me propondo a fazer e estudá-lo, estou também como todos os homens na esperança de um dia conseguir compreende-lo por completo, ainda que tenha que morrer tentando! Talvez essa seja a diferença daqueles que fazem e estudam as artes plásticas para aqueles que apenas as admiram, mas assim mesmo, continuo nessa jornada...

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